Há dores enormes, do tamanho de um coração grande, que amargam e galgam as margens do peito, transbordando borda fora do corpo e da alma, para lá da cama, para além de todos os sentires...
Por vezes estamos assim, corpos perdidos de nós...
Há dores enormes, do tamanho de um coração grande, que amargam e galgam as margens do peito, transbordando borda fora do corpo e da alma, para lá da cama, para além de todos os sentires...
Por vezes estamos assim, corpos perdidos de nós...
Um assalto no caminho
Uma surpresa
Uma dor
Uma caverna escura
Um cárcere
E eu rendo-me
Ou pelejo?
Será que ensaio uma fuga...
Que faço?...
Do lado de lá
Há mais vida
Colorida
Um horizonte de mar
E a dor é só uma passagem
Que urge atravessar
Urgente se vive,
tão depressa se morre.
Não há quem não tropece tantas vezes
nos caminhos que percorre...
O belo está em ir caminhando incessante,
conquistando rumo a cada instante,
mesmo que com sangue nos pés;
e ir sempre lavando as feridas,
voltar a caminhar outra e outra e mais outra vez,
sem dar importância demasiada aos tropeços.
Afinal, nem só de logros se faz a vida.
Ela é feita de recomeços.
Uma estrela em flor
Coroa de luz e cor
Um sol de romã
Pirilampo a piscar no caminho da manhã
Há quem se olhe demoradamente ao espelho...
a imagem nele reflectida é que nem sempre corresponderá à realidade.
Umas vezes poderá ser deveras favorecida e outras precisamente o contrário...
é bom que tenhamos algum cuidado ao analisar a imagem daí resultante.
Nas bifurcações do quotidiano há léguas de marés suspensas
Papéis em branco
Desdobráveis declamados no vento pela rua
Ditos em tréguas petrificadas
Lâminas a esvair-se languidamente sem nada a desejar
Nas bifurcações do quotidiano
Perdemos de vista as galáxias
Ensombradas por nuvens imprevisíveis
A anos-luz de distância